Temperamentos transformados: Como Deus pode transformar os defeitos do seu temperamento de Tim Lahaye

Lido em 2025

Não sou autor do conceito dos quatro temperamentos. Minha contribuição foi apenas fazer aplicações práticas dessas classificações seculares para que cada indivíduo possa examinar a si mesmo, analisando seus pontos fortes e suas fraquezas, e assim buscar a cura do Espírito Santo para aquelas tendências que o impedem de ser usado por Deus.

Temperamentos transformados é o resultado de pesquisas adicionais sobre o assunto, como também de nossos trabalhos de aconselhamento a pessoas em dificuldades.

  1. A teoria dos quatro temperamentos

Hipócrates (460 a 370 a.C.) é frequentemente chamado de “Pai da medicina”. Sem dúvida, ele foi o gigante do mundo médico da antiga Grécia, e nos interessa por duas razões: 1) Geralmente lhe atribuem o fato de a medicina se preocupar com os problemas psiquiátricos; 2) Reconheceu as diferenças de temperamento entre as pessoas e apresentou uma teoria que as explica.

Hipócrates distinguiu os quatro temperamentos: o sanguíneo, o melancólico, o colérico e o fleumático. De acordo com ele, o temperamento dependia dos “humores” do corpo: sangue, bílis preta, bílis amarela e fleuma. Assim, começou por observar as diferenças de comportamento, formulando uma teoria para elas.

O filósofo alemão Emmanuel Kant foi provavelmente o que mais influência teve na divulgação da teoria na Europa. Embora incompleta, sua descrição dos quatro temperamentos, em 1798, foi bem interessante: A pessoa sanguínea é alegre e esperançosa; atribui grande importância àquilo que está fazendo no momento, mas logo em seguida pode esquecê-lo. Ela tem intenção de cumprir suas promessas, mas não as cumpre por nunca tê-las levado suficientemente a sério, a ponto de pretender vir a ser um auxílio para os outros. O sanguíneo é um mau devedor e pede constantemente mais prazo para pagar. É muito sociável, brincalhão, contenta-se facilmente, não leva as coisas muito a sério e vive rodeado de amigos.

Embora não seja propriamente mau, tem dificuldade em não cometer seus pecados; ele pode se arrepender, mas sua contrição (que jamais chega a ser um sentimento de culpa) é logo esquecida. Ele se cansa e se entedia facilmente com o trabalho, mas constantemente encontra entretenimento em coisas de somenos — o sanguíneo carrega consigo a instabilidade, e seu forte não é a persistência. As pessoas com tendência à melancolia atribuem grande importância a tudo o que lhes concerne. Descobrem em tudo uma razão para a ansiedade e em qualquer situação notam de imediato as dificuldades. Nisso são inteiramente o oposto do sanguíneo. Não fazem promessas com facilidade, porque insistem em cumprir a palavra e pesa-lhes considerar se será ou não possível cumpri-la. Agem assim, não devido a considerações de ordem moral, mas ao fato de que o inter-relacionamento com os outros preocupa sobremaneira o melancólico, tornando-o cauteloso e desconfiado. É por essa razão que a felicidade lhes foge. Dizem do colérico que tem a cabeça quente, fica agitado com facilidade, mas se acalma logo que o adversário se dá por vencido. Que se aborrece, mas seu ódio não é eterno. Sua reação é rápida, mas não persistente. Mantém-se sempre ocupado, embora o faça a contragosto, justamente porque não é perseverante; prefere dar ordens, mas aborrece-o ter de cumpri-las. Gosta de ter seu trabalho reconhecido e adora ser louvado publicamente. Dá valor às aparências, à pompa e à formalidade; é orgulhoso e cheio de amor-próprio. É avarento, polido e cerimonioso; o maior golpe que pode sofrer é a desobediência. Enfim, o temperamento colérico é o mais infeliz por ser o que mais provavelmente atrairá oposição. Fleuma significa falta de emoção e não preguiça; implica uma tendência a não se emocionar com facilidade nem se mover com rapidez, e sim com moderação e persistência. A pessoa fleumática se aquece vagarosamente, mas retém por mais tempo o calor humano. Age por princípio, não por instinto; seu temperamento feliz pode suprir o que lhe falta em sagacidade e sabedoria. Ela é criteriosa no trato com os outros e em geral consegue o que quer, persistindo em seus objetivos, embora pareça ceder à vontade alheia.

  1. A contaminação pelo freudianismo

O fato de as pessoas possuírem diplomas não significa que estejam certas. Um rápido exame pelos grandes filósofos do mundo mostraria que cada um desses brilhantes eruditos sempre discordou dos outros famosos filósofos que os antecederam.

Os quatro temperamentos parecem ser aceitos pelos cristãos porque são compatíveis com muitos conceitos das Escrituras. Da mesma forma que a Bíblia ensina que todos os homens têm uma natureza pecaminosa, os temperamentos indicam que todos têm suas fraquezas. A Bíblia nos ensina que o homem é constantemente assediado pelo pecado, e os temperamentos destacam esse fato.

A Teoria dos Quatro Temperamentos é provavelmente a mais antiga, e muitos cristãos consideram-na a melhor. Não é perfeita, assim como nenhum conceito humano. Porém, ajuda a pessoa comum a examinar-se por meio de um processo sistematizado e melhorado durante os séculos. A teoria não responderá a todas as dúvidas que você tenha sobre si mesmo, mas propiciará mais respostas do que as outras teorias.

  1. Uso e abuso da ferramenta

Já vi pessoas humilharem familiares e companheiros de trabalho por apontar-lhes os traços desfavoráveis do temperamento e expor-lhes os defeitos.

Nenhum cristão cheio do Espírito Santo invadiria o íntimo de outra pessoa, expondo-a ao ridículo psicológico.

A Teoria dos Quatro Temperamentos é apenas uma ferramenta terapêutica. Com os outros ou consigo mesmo, deve ser usada sempre com parcimônia, flexibilidade e de forma construtiva. Uma boa regra é: não se ponha a analisar o temperamento de uma pessoa, a não ser que isso contribua para melhorar seu relacionamento com ela, e não diga a uma pessoa qual o temperamento que ela possui, a não ser que esta lhe pergunte diretamente.

Os atos refletem não apenas o caráter, mas também os costumes mais significativos. A personalidade nos encaminha para um padrão de conduta, o costume perpetua e reforça esse comportamento. O cristão não é escravo do hábito! Os hábitos — mesmo os mais arraigados na vida de uma pessoa — podem ser modificados pela fonte divina de poder que habita no crente.

Diversos fatores devem ser lembrados quando você quiser descobrir seu temperamento. O mais importante é que ninguém se caracteriza por apenas um temperamento. Não só os pais, mas também os avós contribuem para a formação da personalidade do indivíduo; assim, todos são uma mescla de temperamentos, pelo menos dois e às vezes até três.

É um erro perigoso pensar que determinado tipo de temperamento seja melhor do que outro, ou que um conjunto de temperamentos seja preferível a outro.

  1. Pedro, o sanguíneo

Pedro, o sanguíneo Pedro é, provavelmente, o personagem mais querido do Novo Testamento. A razão é muito simples. Como é totalmente extrovertido, seus defeitos são visíveis a todos. Ele tropeça de modo impetuoso pelas páginas dos Evangelhos, deixando à mostra a carne crua do sanguíneo. Em um momento é amável e alegre; no outro, assusta com suas atitudes. Sem dúvida alguma, é o homem mais sanguíneo da Bíblia.

O sanguíneo é caloroso, amável e simpático. Atrai as pessoas como se fosse um ímã. Tem bom papo, é otimista e despreocupado, “é a vida da festa”! É generoso, compassivo, adapta-se ao ambiente e ajusta-se aos sentimentos alheios. Porém, como os outros temperamentos, tem seus defeitos. Em geral tem pouca força de vontade; emocionalmente é instável e explosivo, irrequieto e egoísta.

Tem grande dificuldade em seguir detalhadamente as instruções e quase nunca fica quieto. No fundo dessa capa de ousadia, ele é muitas vezes inseguro e temeroso. Os sanguíneos são bons vendedores, oradores, atores e, não raro, tornam-se líderes.

Sempre que um sanguíneo não sabe o que fazer, ele fala. É certo que romperá qualquer período de silêncio tenso com palavras, por vezes ditas na hora errada, desnecessárias ou até mesmo inconvenientes.

Os sanguíneos, por natureza, agem, não pensam. Quando pressionados, têm de fazer alguma coisa. Essa falta de reflexão causa a perda de ricas bênçãos na vida dos sanguíneos.

Tipicamente sanguíneo, deixou o trabalho inacabado quando encontrou algo mais atraente para fazer. Os sanguíneos não são preguiçosos, mas tendem a pular de uma coisa para outra; têm pouca capacidade de concentração.

EGOÍSTA Outra tendência da pessoa sanguínea é o egoísmo. Segundo o seu tipo, Pedro não poderia ter sucesso sem que isso lhe subisse à cabeça.

INTERESSEIRO Por natureza, o sanguíneo é muito generoso. Se vê alguém passando necessidade, sua reação emocional geralmente é de compaixão.

FANFARRÃO Uma das falhas mais evidentes do sanguíneo é sua tendência à fanfarrice. Tudo que ele faz ou tem é “o melhor”.

Você já notou como o sanguíneo é rápido e espalhafatoso em assumir compromissos ou fazer promessas?

VONTADE FRACA Geralmente, as intenções do sanguíneo são muito boas. Mas uma das mais sérias dificuldades dessa índole é a fraqueza de vontade.

Esse temperamento precisa desesperadamente do calor da comunhão dos outros crentes. Ele é sensível aos que o cercam e tende a adaptar-se a seus costumes, em vez de destacar-se no grupo. Os sanguíneos podem agir de um modo com um grupo de amigos, e de forma completamente diferente com outro.

A única esperança para o sanguíneo é uma vida de dependência do Espírito Santo. Pedro reconheceu que não podia acreditar em suas emoções, daí a relutância em dar uma resposta leviana, além daquilo que pudesse cumprir. Em vez disso, ele agora queria provar seu amor por meio de seus atos. Essa decisão revolucionária em sua vida parece caracterizá-lo dali por diante, evidência de que mesmo um sanguíneo inconstante pode se tornar um instrumento estável e útil quando cheio do Espírito Santo.

Veremos que a mudança na vida de Pedro não eliminou sua personalidade, e sim a modificou. Depois da plenitude do Espírito, Simão, o sanguíneo, não mais demonstra falta de domínio próprio.

A graça de Deus nos é suficiente; assim, em quaisquer circunstâncias, você nunca terá que “explodir” ou estragar seu testemunho por causa da conduta hostil de outrem. Sua vitória não depende do comportamento alheio! Humanamente falando, pode ser que tenha razões de sobra para se zangar, mas os recursos divinos o capacitam a responder de modo pacífico.

A humildade não é realmente uma característica do sanguíneo. Suas tendências egoísticas naturais o induzem a buscar a glória. Por essa razão, é raro ele fazer alguma coisa às escondidas apenas com o intuito de ajudar as pessoas;

De natureza irrequieta, é muito fácil para eles se envolverem em toda sorte de “atividades para o Senhor”, sem dedicar tempo a ele pessoalmente, na leitura de sua Palavra e na oração.

A PACIÊNCIA DE PEDRO Os sanguíneos têm tal tendência ao sarcasmo que chegam a ferir emocionalmente os amigos. Em meu trabalho de aconselhamento cheguei à conclusão de que a maioria das pessoas tem muitos pensamentos cínicos, mas não os deixa transparecer. Não é o caso do sanguíneo, que diz quase tudo que lhe vem à cabeça.

A transformação do apóstolo sanguíneo demonstra que Deus pode lhe tornar o tipo de pessoa que ele quer que você seja. Mostra-nos também que para toda e qualquer tendência à fraqueza, mesmo aquelas cuja intensidade tenha sido aumentada pelo hábito, existe uma cura. Deus, o Espírito Santo, possui uma força para cada uma das falhas do sanguíneo.

  1. Paulo, o colérico

O personagem bíblico que melhor ilustra o temperamento colérico é o apóstolo Paulo. O colérico é um ativista prático. Para quem tudo na vida é utilitário. É um líder natural, obstinado e muito otimista. Seu cérebro está sempre fervilhando de ideias, projetos ou objetivos, que geralmente são realizados.

sérias. É autossuficiente, impetuoso, genioso e tem uma tendência à aspereza e até mesmo à crueldade. Ninguém é tão mordaz e sarcástico quanto o colérico.

Deduzimos das passagens já citadas diversas tendências coléricas em Saulo de Tarso. Por instinto era líder zeloso e ativo, era indivíduo zangado, hostil e amargurado que “respirava ameaças e morte”. Além disso, era implacavelmente cruel. De qualquer modo, Saulo seria um grande líder, fosse ou não cristão. Seu encontro com Jesus no caminho de Damasco mudou a direção de sua liderança, mas não a diminuiu. Pelo contrário, o Espírito Santo usou essa capacidade como força dinâmica para a glória de Jesus Cristo.

sucedida. Em geral, os coléricos obtêm sucesso em qualquer profissão que escolham e não porque tenham maiores dotes mentais que os indivíduos de outros temperamentos. Seu sucesso pode ser atribuído à determinação e não à capacidade inata. Quando outros abandonam um projeto ou alguma tarefa, o colérico persiste com tenacidade até atingir o alvo.

Ele sabia que a autodisciplina começa na mente. Se você não resolver que vencerá determinada dificuldade, provavelmente jamais conseguirá vencê-la.

O sucesso na vida cristã começa na mente, e esta é formada pela vontade. Quem ceder às próprias fraquezas, desculpando-as e mimando a si mesmo, não mudará. Somente apoiando-se na verdade de que “tudo posso naquele que me fortalece” é que se obterá vitória na batalha do temperamento (Fp 4:13).

Uma das grandes dificuldades dos que possuem essas características está em confiar mais no temperamento do que no Senhor.

A característica principal do apóstolo colérico — sua persistência — é admirável quando dirigida pelo Espírito Santo. Mas essa perseverança poderá também distanciar o cristão colérico da vontade de Deus.

Os coléricos são teimosos e têm uma vontade de ferro. Precisam aprender que, quando pessoas espiritualmente motivadas recomendam uma mudança de direção, seria melhor se procurassem conhecer a vontade do Espírito Santo sobre o assunto.

AGRESSIVO A ira e a agressividade são características do temperamento colérico que aparecem pouco na vida de Paulo após a conversão, ao contrário do que acontecia antes, quando tais sentimentos o motivavam.

Um colérico não tolera desistentes. É intolerante com aqueles que não mantém o ânimo e a força em face da adversidade.

Feliz o colérico (e aqueles que o cercam) que estiver disposto a reconhecer imediatamente sua ira como pecado, não ceder à tentação de justificá-la e pedir a Deus a paz de uma vida cheia do Espírito Santo.

Devido a esse sentimento de independência, o colérico não tem medo de ficar sozinho; pelo contrário, muitas vezes é chamado de solitário. Não que não goste de outras pessoas, mas na maioria das vezes prefere fazer as coisas por si mesmo.

PRÁTICO Em geral o colérico possui poucas características estéticas, mas é muito prático. Para ele, as decisões da vida têm de ser tomadas com um propósito utilitário.

Aqueles que amavam o Senhor e estavam cheios do Espírito pareciam amar Paulo fervorosamente. Por todo o livro de Atos vemos pessoas que choravam quando ele deixava suas cidades. Esse homem que viajou pelo Oriente Médio e sul da Europa, levando milhares de pessoas a um conhecimento salvador de Jesus Cristo, é provavelmente um dos indivíduos mais benquistos da cristandade. Aqueles que lhe tinham ódio, tinham-no por ele ser um cristão cheio do poder.

A MOTIVAÇÃO DE PAULO O apóstolo colérico foi provavelmente o ser humano mais otimista do mundo. Esse sentimento produziu uma motivação nunca superada na história da Igreja. Sem acesso a recursos humanos, ele avançou, com otimismo, até lugares desconhecidos, levado apenas pela convicção de que o Espírito de Deus o enviara.

Quando o cristão resmunga, reclama e sente pena de si mesmo, está olhando para trás, para as reprimendas, afrontas pessoais, privações e sofrimentos. Isso nunca será produtivo, saudável ou útil para o crente. E, sim, profundamente desmoralizante. Paulo, assim como Abraão antes dele, olhava para uma cidade cujo construtor é Deus. Olhava especialmente para o Salvador, e vivia motivado pela volta de Jesus, esperando ouvi-lo dizer: “Muito bem, servo bom e fiel”.

Se quiser sentir-se motivado amanhã, vá dormir hoje pensando positivamente e com otimismo sobre o que Deus fará com e por intermédio de você amanhã.

Amor. A primeira característica da vida cheia do Espírito Santo é o amor, que é, provavelmente, a maior necessidade do crente colérico. Este, duro por natureza, desprovido de sentimentos, não emotivo, encontra muita dificuldade em expressar esse sentimento. Um meio muitas vezes usado pelo colérico para expressar tal emoção é fazer coisas pelos outros esperando que seus atos sejam interpretados como demonstração de amor. A compaixão é naturalmente um sentimento estranho ao colérico.

O apóstolo Paulo é um exemplo típico do colérico cheio do Espírito, que não mais confia em si mesmo, mas sim, e sem restrições, no Deus vivo.

  1. Moisés, o melancólico

O maior perigo está em se entregar a pensamentos negativos que exagerem suas tendências pessimistas.

Que maior segurança do que essa poderia exigir o melancólico em luta contra seu complexo de inferioridade? Se você, como cristão melancólico, tem a tendência de rejeitar as oportunidades de serviço cristão, sugiro que se lembre da promessa divina: “Certamente eu serei contigo!”. Na verdade, desde que Deus habita em nós na pessoa de seu Espírito Santo, não precisamos sequer de talento para servi-lo; devemos simplesmente submeter-nos a sua orientação.

Moisés é um dos três grandes servos de Deus que ficaram deprimidos a ponto de se desesperar da vida e pedir a Deus que lhes permitisse morrer. Os outros dois foram Elias (1Rs 19) e Jonas (Jn 4:1-3). O maior problema do melancólico é a depressão.

  1. Abraão, o fleumático

As pessoas de mais fácil convivência são as fleumáticas. A natureza calma e sossegada as torna benquistas por todos; a agudeza de espírito e o senso de humor fazem de sua presença um prazer. Os fleumáticos se enquadram bem no título “sr. Simpatia” onde quer que estejam. Geralmente, são pessoas tão boas que, mesmo antes de se converterem, agem mais como crentes que os convertidos de outros temperamentos.

Além de o fleumático ser calmo e acessível, é também agradável e, portanto, trabalha muito bem em equipe. É eficiente, conservador, digno de confiança, espirituoso e tem a mente sempre voltada para o lado prático das coisas. Por ser um tanto introvertido, seus defeitos, assim como suas qualidades, não são tão perceptíveis quanto os dos temperamentos mais expressivos. Mas as fraquezas existem, e a maior delas é a falta de motivação. O fleumático chega até a ser displicente com relação ao trabalho e tende a ser intransigente, pão-duro e indeciso. Tem a capacidade de olhar a vida como mero espectador, evitando a todo custo envolver-se com as coisas. Os fleumáticos revelam-se bons diplomatas porque são pacificadores por natureza. Muitos são professores, médicos, cientistas, humoristas, escritores e editores de livros e revistas. Quando motivados externamente, podem tornar-se líderes muito capazes.

Parece muito difícil para o fleumático confiar inteiramente no Senhor, talvez porque o medo é um de seus problemas mais constantes. Sua tendência a preocupar-se por tudo, mostrando-se sempre angustiado, não é tão severa quanto a do melancólico, mas tende a limitá-lo. Muitos cristãos fleumáticos relutam em passar pela porta da oportunidade quando esta se abre.

Um dos traços mais admiráveis dos fleumáticos é seu amor à paz. Tendem a demonstrar serenidade e calma, transmitindo tais sentimentos aos que os rodeiam.

LEAL “Sua atitude, quando pressionado, revela sua personalidade!” A pressão não muda nosso caráter, apenas identifica sua verdadeira natureza. De todos os tipos de temperamento, o fleumático é o que suporta melhor a pressão, devido a sua natureza. Os sanguíneos com frequência correm desorientados na direção errada, e os melancólicos se despedaçam sob pressão, mas os coléricos e fleumáticos se erguem em ocasiões de dificuldades.

PASSIVO A inclinação natural do fleumático para a paz envolve uma tendência à passividade diante dos conflitos, a não ser quando se apresenta uma crise. Os homens fleumáticos, em virtude dessa atitude, muitas vezes são dominados pelas esposas.

Uma das lições que os fleumáticos amantes da paz precisam aprender é que nada se consegue pela acomodação.

Muitas mulheres de vontade forte rebelam-se contra o conceito bíblico da submissão da esposa ao marido. Por seu temperamento, acham mais fácil assumir o comando, tomar as decisões e mandar em todos da casa, inclusive no marido. Isso sempre faz a felicidade desaparecer.

O padrão divino de moralidade não abre exceções — a mentira é pecado assim como o adultério, mesmo quando necessários para salvar uma vida. Nossos pretextos e concessões jamais melhoram o plano e a provisão de Deus.

Até o nascimento de Isaque, a fé que Abraão tinha era uma experiência de crescimento, que por vezes fraquejava e, a seguir, avançava. A partir de então, passou a ser conhecido como “o pai dos fiéis”, antepassado daqueles que depositaram em Deus a sua fé.

Onde Abraão obteve essa fé? Ela foi um resultado da confiança que depositou na Palavra de Deus, agindo conforme suas promessas. Deus tinha claramente prometido posteridade a Isaque, e Abraão creu que nem a morte poderia impedi-la. A fé não precisa de respostas; só de direção.

  1. O andar transformado

O segredo do temperamento transformado está em deixar-se encher pelo Espírito Santo, não apenas de forma esporádica, mas ininterrupta.

COMO ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO Em meu livro Temperamento controlado pelo Espírito, um dos capítulos trata da plenitude do Espírito Santo. Seria útil ao leitor reler detalhadamente esse capítulo. Em poucas palavras, os passos para a plenitude do Espírito são os seguintes: Examine-se e confesse todo pecado conhecido (1Jo 1:9). Submeta-se inteiramente a Deus (Rm 6:11-13). Peça a plenitude do Espírito (Lc 11:13). Aproprie-se da promessa de Deus e creia que já recebeu a plenitude do Espírito (Rm 14:23). Agradeça-lhe por sua plenitude sempre que reconhecer seu pecado (1Ts 5:18).

Você não pode encher a mente com sujeira e querer sentir-se limpo. Essa é a razão por que muitos cristãos “não veem nada de mal” em certos pecados. Suas atitudes mentais pecaminosas já vêm sendo mantidas há tanto tempo que os atos corruptos chegam a lhes parecer normais.

Ter fé é acreditar naquilo que Deus diz e agir apoiado em suas promessas.

Os seguintes passos para andar no Espírito poderão ser um instrumento para a vida diária vitoriosa.

  1. Faça da plenitude do Espírito uma prioridade a cada dia. Você não pode andar no Espírito a não ser que sinceramente deseje isso, e a não ser que ele passe a habitar em você. Como já vimos, os velhos padrões de hábito voltam furtivamente a nos perseguir. Favorecendo esses hábitos em detrimento da paz de Deus, estaremos satisfazendo os pecados da carne. Sejamos honestos: a luxúria, a preocupação, a autopiedade e a ira nos divertem temporariamente. O resultado final é terrível.
  2. Aguce sua sensibilidade em relação ao pecado. Já vimos que o pecado bloqueia o poder do Espírito Santo em nossa vida. No momento em que tomamos consciência de qualquer pecado da mente, devemos imediatamente confessá-lo; dessa forma, o tempo decorrido entre o entristecer do Espírito e sua restauração é mínimo.

Pelo que pude observar entre as pessoas a quem tenho aconselhado, o principal segredo para alcançar a vida vitoriosa é a prática da confissão instantânea.

  1. Leia e estude diariamente a Palavra de Deus. Estou convicto, depois de muito observar, que é impossível para o cristão “andar no Espírito” a não ser que tenha o hábito de nutrir sua mente e seu coração com a Palavra de Deus com regularidade.
  2. Outro hábito valioso é a meditação. Para mim, meditar é o mesmo que “pensar”. A mente está sempre funcionando, e o que determina se ela trabalhará por nós ou contra nós é nossa vontade. A mente tem de trabalhar por meio dos critérios e das verdades da Palavra de Deus se quiser guiar-se para o bem.

Já vimos que os melancólicos e fleumáticos têm predisposição para o medo, assim como os temperamentos mais extrovertidos têm predisposição para a ira. Alguns possuem uma mescla do temperamento introvertido e extrovertido e dessa forma podem ter problemas graves em razão do medo e da ira. A graça de Deus nos basta para eliminar ambos os problemas por intermédio de seu Espírito Santo.

Bíblia ainda diz que as provas impostas por Deus servem para nos fortalecer. Muitos cristãos são reprovados nos testes quando procuram eliminar as tribulações em vez de renderem obediência ao Espírito. É impossível para o cristão inclinado ao medo andar no Espírito sem que seja fortemente inspirado pela Palavra de Deus, a fim de revigorar sua fé. Quanto mais sua mente se encher da Palavra de Deus, tanto mais seus sentimentos se inclinarão para a fé. Mas os ansiosos em geral gostam de apregoar sua triste situação, sobretudo quando Deus observa a cena comovente. Quando tais pessoas oram, muitas vezes se sentem ainda pior.

A atitude mental e a prática da gratidão são essenciais em dois momentos cruciais: ao acordar e ao dormir. À noite, recomenda-se a leitura bíblica e a oração com ações de graças; pela manhã, começar o dia agradecendo é uma atitude estratégica. Segundo um neurocirurgião citado pelo autor, os primeiros 30 minutos após despertar definem o padrão emocional de todo o dia, tornando a oração matinal indispensável para começar bem — tanto para quem acorda com facilidade quanto para quem tem mais dificuldade pela manhã.